Principais danos e patologias

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Uma análise geral revela o estado de relativa conservação de suas estruturas e reflete bem os cuidados da ordem, do IPHAN e das demais instituições envolvidas no processo de conservação e restauro Essas obras tiveram como orientação geral o uso de técnicas e materiais contemporâneos, algumas vezes de forma radical (e talvez necessária), como foi o caso das obras empreendidas na sacristia, onde predominou o uso do concreto armado. Os materiais e técnicas construtivas tradicionais foram geralmente desprezados, sendo evidente a perda de autenticidade nas ações em que foram inseridos.Foi comum a prática da reposição de rebocos com o uso do cimento tipo Portland em todos os tipos de argamassa, e o uso de tintas, vernizes e esmaltes sintéticos. Como conseqüência, algumas das patologias atuais são decorrentes justamente das diferenças entre os materiais novos e os antigos.

A identificação dos principais danose patologias, suas causas e as intervenções reparadoras foi realizada com a elaboração de um mapeamento geral do Conjunto, ambiente por ambiente. Esse procedimento resultou numa visão qualitativa dos danos e patologias. Os elementos construtivos analisados foram: alvenarias, cantarias, esquadrias, forros, pisos, talhas de madeira e instalações elétricas.

Os principais danos nas alvenarias do convento são rachaduras e trincas. Há uma concentração quase absoluta desses danos, sobretudo na zona entre a nave da igreja do convento e a sacristia, sugerindo uma origem ou fenômeno único. Esses danos estão provavelmente relacionados tanto com a situação geológica onde se fundou o Conjunto. Presume-se que tais rachaduras devam-se às diferenças de estabilidade entre as antigas e a novas fundações da sacristia. As patologias da década de 1980 encontram-se sanadas, ou seja, as rachaduras atualmente visíveis na área do convento são novas e estão justamente localizadas

O estado atual de conservação dos azulejos do convento não é satisfatório (Figuras 1.32 e 1.33). No claustro, por exemplo, a situação é crítica, indicando que as causas dos antigos danos não foram resolvidas. Notam-se descolamentos e um número razoável de perda de vidrado próxima às juntas. Uma hipótese é que tais danos podem estar associados não apenas às patologias comuns em áreas próximas do mar (salinização), mas à ação de agentes mecânicos sobre as alvenarias que servem de suporte aos azulejos.Esses agentes mecânicos podem levar enfraquecimento do material ocasionando desde micro-fissuras até o rompimento e desprendimento da peça de seu suporte. A intensidade da ação desses agentes depende da resistência do azulejo, variando de acordo com a composição da matéria-prima utilizada na sua fabricação. Os agentes externos causadores de tensões nos azulejos incluem as cargas de compressão ou flexão que provocam lesões nas paredes e dilatação térmica. Os agentes internos são os sais existentes nos azulejos (geralmente cloretos, sulfatos e nitritos), que .podem ser provenientes da argamassa de assentamento, da alvenaria, do solo, da atmosfera, de material orgânico, ou mesmo de argamassas de cimento utilizadas em intervenções anteriores.

Foto 1.32 Preenchimento de vazios com argamassa Foto 1.33 Perda de vidrado
Foto 1.32 Preenchimento de vazios com argamassa Foto 1.33 Perda de vidra

Os danos mais comuns levantados na cantaria foram perdas, fissuras e alterações cromáticas superficiais, formações de camadas escuras resultantes de impurezas ambientais. (Figuras 1.34 e 1.35), Esses danos estão disseminados por toda a área do Conjunto Franciscano, mas o claustro, por ser um ambiente constantemente exposto às intempéries e sujeito à grande circulação de pessoas, concentra um grande número de patologias Além disso, é uma área que sofreu variadas intervenções, muita delas danosas à própria estrutura, como os antigos restauros, realizados com argamassa de cimento.

Foto 1.34 Crosta negra e fissuras Foto 1.35 Fissura
Foto 1.34 Crosta negra e fissuras Foto 1.35 Fissura

Observou-se que um mesmo grupo de patologias afeta as esquadrias, forros, pisos e talhas de madeira. As condições tropicais favoráveis provocam na madeira uma razoável quantidade de microorganismos. Os fungos e os insetos xilófagos, cupins, foram identificados como os maiores causadores da deterioração das madeiras do Conjunto Franciscano. As janelas e portas do Convento foram constantemente reparadas desde as primeiras intervenções do IPHAN. Houve, nesse processo, a substituição de tintas tradicionais por tintas industriais à base de óleo ou esmalte sintético. Da mesma forma, na escolha das madeiras utilizadas em seus reparos se recorreu às disponíveis no mercado e nunca às originais. O estado das talhas não é satisfatório e a pintura apresenta-se descascada ou desbotada (Fotos 1.36 e 1.37). Em alguns casos, nota-se a falta de peças e a presença de insetos xilófagos. São pouco expressivos os danos nos assoalhos com danos restritos a áreas diminutas, visto que, em 1998, foi trocado todo o madeiramento do piso do bloco conventual o qual se encontrava afetado por fungos e insetos.

Foto 1.36 Porta almofada resseca pelo sol Foto 1.37 Talha na Capela de São Roque
Foto 1.36 Porta almofada resseca pelo sol Foto 1.37 Talha na Capela de São Roque

Os principais forros de importância artística foram alvo de ações reparadoras desde as primeiras intervenções no Conjunto Franciscano. Desta forma, já foram recuperados os belo forro artezoado da Capela de São Roque da Ordem Terceira e as pinturas do forro em caixotões da sacristia, quando se removeu o verniz oxidado e uma nova proteção foi aplicada. Mesmo assim, pode-se verificar a existência de danos como a desagregação e o descascamento de pinturas (Fotos 1.38 e 1.39).

Foto 1.38 Podridão da Madeira
Foto 1.39 Desagragação/descascamento da pintura
Foto 1.38 Podridão da Madeira
Foto 1.39 Desagragação/descascamento da pintura
 
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