Comunicação e alerta sobre perdas de telhados tradicionais

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O professor Jorge Eduardo L. Tinoco, responsável pelo Curso de Gestão de Restauro do CECI fez uma comunicação sobre a perda do conhecimento das técnicas antigas na restauração dos telhados tradicionais de origem luso-brasileira.

No boletim, apresentado no III Simpósio de Técnicas Avançadas em Conservação de Bens Culturais, realizado em Olinda (mar/2006), o professor, que é arquiteto especialista em conservação e restauro do patrimônio construído, fez um alerta sobre os riscos da aplicação das mantas de TnT (Tecido não Tecido) a base de folhas de alumínio, polietileno, poliéster, papéis com asfalto oxidado, bem como da introdução de chapas de fibra-de-vidro para evitar goteiras nos telhados. "Esses materiais e técnicas, equivocadamente tidas como avançadas, não têm propriedades ignífugas, ou seja, em caso de sinistro de incêndio na edificação o fogo se propagará rapidamente, dificultando as condições de combate e salvamento", diz o professor.

Os antigos telhados, localizados nas principais cidades históricas do Nordeste do Brasil (João Pessoa, Olinda, Recife e Goiana, Marechal Deodoro e Penedo, São Cristóvão e Laranjeiras, Salvador e Cachoeira), a mais de 30 anos, têm sido muito descaracterizados. As causas devem-se às perdas dos materiais, técnicas e sistemas construtivos tradicionais, em decorrência da ignorância do modo de fazer dos artesões do passado.

As modificações nos telhados agravaram-se no início da década de 1970, com o Programa de Reconstrução das Cidades Históricas do Nordeste, da então Secretaria de Planejamento da Presidência da República – SEPLAN/PR, e potencializaram-se no final dos anos de 90, com o Programa Monumenta/BID. Tanto um como outro programas injetaram grande quantidade de recursos financeiros num pequeno espaço de tempo para aplicação, sem que um corpo técnico estivesse devidamente capacitado para fazer face à demanda das obras de restauração.

Fig.1 O emprego de telhas de formato único e dimensões inedequadas causam deversas patologias e oneram a manutenção dos telhados. Foto do autor 2005/Telhado do alpendre do sobrado n° 4, da Praça da Aclamação, em Cachoeira (BA), sede do IPHAN.

Fig.2 Aspecto da grande área de vazão das antigas telhas colônias de capa e canal. Acervo CECI/Gestão de Restauro.

Fig.3 A telha de rincão recebia a vazão do encontro de duas águas nos ângulos convergentes dos telhados antigos. Foram literalmente substituídas por chapas metálicas – Exemplar do acervo da Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ Fig.4 Oleiro Cícero Brito, da Olaria de José Pedro no município de Bezerros (PE), moldando uma telha pelo processo tradicional.

Fig.5 Aspecto das chapas de fibra-de-vidro, colocadas como subcobertura nos telhados do Conjunto Carmelitano de Cachoeira (BA). Aqui, também, todo o telhamento foi substituido por novas de telhas modernas, industrializadas. Foto do autor/2005.
Fig.6 Fotograma da filmagem do teste de ignifugação de uma chapa de fibra-de-vidro utilizada no Conjunto Carmelitano de Cachoeira (BA). CECI/2005-Gestão de Restauro

Fig.7 Fotograma da filmagem do teste de ignifugação da manta empregada como subcobertura nos telhados do Conjunto Franciscano de Olinda (PE). CECI/2005-Gestão de Restauro.
Fig.8 Substituição de todas as telhas antigas do Conjunto Franciscano de Olinda (PE) por novas, de formato único, de fabricação artesanal.
 

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