Aulas do Curso de Gestão de Restauro

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As aulas do Curso de Gestão e Prática de Obras de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural, na sua 5ª edição, prosseguiram no mês de junho com muitas atividades. Alunos de diversos estados do Brasil, reuniram-se na cidade de Olinda para o encontro mensal das aulas práticas. Em junho o tema foi sobre as propriedades e aplicações das argamassas, particularmente para identificação dos ciclos da cal e do cimento. Na ocasião, os alunos tiveram a oportunidade de visitar as obras de restauração da Igreja da Madre Deus no quadro dos estudos sobre a gestão de canteiros de obras.

Visita aos serviços de restauração dos elementos artísitcos integrados em madeira da capela mor da Madre Deus. Na foto, a restauradora Débora Mendes, da Empresa Realiza ltda, apresenta aos alunos os procedimentos de organização e gestão de um atelier de restauro de bens móveis no canteiro das obras. O encarregado geral da empresa Forte Engenharia ltda, mestre estucador e instrutor do CECI, Gilmar Crisóstomo, apresentou aos alunos as atividades de gestão de canteiro de obras e serviços da restauração da Igreja da Madre Deus.
Alunos colocam a "mão na massa" para produzirem diversas amostras de argamassas a base de cal para observação no contexto dos agregados, de outros aglutinantes e, principalmente, do meio aguoso. Os professores José Garcia e Neônio Duque, ambos químicos, derão instruções aos alunos sobre os comportamentos físico-químicos da cal e do cimento na composição das argamassas.

A realização do Fórum Temático foi uma atividade à distância do Curso que movimentou muito os alunos no mês de junho sobre a questão da conservação dos revestimentos das alvenarias. Dentro da programação do curso, os alunos estudam atualmente as argamassas tradicionais da construção. A seguir, alguns depoimentos sobre a provocação do prof. Jorge Eduardo Tinoco:

Conservação Integrada – ARGAMASSAS – O uso que se faz dos edifícios de valor cultural (históricos) não justifica a manutenção apropriada para a preservação de suas características mais simples como as argamassas de revestimento?

Resp.: Mônica Harchambois Assunção de Melo (PE) – Na avaliação da autenticidade de um bem, devem ser considerados os vários aspectos do objeto: material construtivo, mão de obra, forma, contexto, uso e função, todo um conjunto de elementos materiais e espirituais. A história busca no bem cultural a revelação das várias etapas da evolução das atividades humanas. Partindo do princípio de que quanto mais preservado o bem no seu estado original, mantida a sua integridade físico-material, mais garantida poderá ser a verificação de sua autenticidade como criação singular de uma sociedade, num determinado momento, não se justificaria alterar argamassas de revestimento. Contudo, excepcionalmente, se a preservação do material original vier a impossibilitar o uso atual, gerando um estado de ócio capaz de colocar em risco a edificação, entendo que será necessária a intervenção.
Resp.: Luis Gustavo Gonçalves Costa (SP) Em casos que esteja prejudicando a integridade física da edificação, concordo que se deva retirar uma argamassa deteriorada, fazendo a manutenção, desde que não haja nesse reboco um elemento importante como uma pintura ou um estuque. Mas, penso também sobre questão de autenticidade – não estaríamos como que arrancando páginas de um livro?
Resp.: Jonathan Marcelo Carvalho (SC) – Concordo com a Mônica. Acho que há uma grande relevância em preservar essas argamassas, além de divulgar sua importância em relação as técnicas de preparação de seus componentes e aplicação. Também é importante ver, datar e reconhecer as diferentes técnicas na evolução da construção, além do que a fluência da trabalhabilidade dos materiais é importantíssima para sobrevivência e durabilidade da edificação. Como consta nas cartas patrimoniais, só em último caso se deve fazer uma intervenção de remoção. Cito a Casa da Alfândega, aqui em Floripa, que de tempos em tempos parte de sua argamassa é trocada decorrente ao ambiente agressivo no qual o edifício se encontra... Ou seja, há casos e casos!
Resp.: Ana Luiza Schuster da Costa (PB) – Diante das angústias do Gustavo e de comentários aqui encontrados, prevejo uma postura excessivamente temerosa e capaz de engessar qualquer um de nós, futuros gestores de obras de restauro, por acreditar na pureza do elemento original. Original no sentido próprio da palavra, que se refere à origem, que nos chegou exatamente com a mesma pedra, madeira, pintura que foi feita na conclusão da obra. Temos de nos lembrar que, o que estamos percebendo de errado nas restaurações atuais é o uso de materiais e técnicas inadequados à manutenção das características do monumento que chegou até nós e que, nós não queremos assumir a postura de Viollet-le-duc, fazendo com que ressurjam os elementos originais de um projeto ou da vontade de quem os planejou. O que se quer é que , o monumento que chegou até nós com avarias e degradações seja recuperado até o ponto de garantir uma sobrevida mais longa e que forneça subsídios para as novas gerações. Precisamos reconhecer também que, os acréscimos durante a vida do monumento são de grande valia para que se reconheçam os vários momentos e fatos pelo que ele passou. Afinal, sempre caberá a pergunta: “de que tempo é este lugar?”
Resp.: José Odilo de Caldas Brandão Filho (PE) – É indiscutível que a argamassa de revestimento guarda elementos materiais e imateriais imprescindíveis para a manutenção de testemunhos comportamentais, técnicos, estéticos ... originais de uma época. Ao mesmo tempo, percebe-se que o uso atual das edificações com valor cultural, quase de forma generalizada, tem provocado o descarte de elementos originais, sobretudo das referidas argamassas de revestimento, em busca de valores estéticos e ambientais próprios dos padrões atuais. Embora concorde com Mônica, quanto à necessidade da preservação dos valores materiais e imateriais presentes em todos e em cada um dos elementos (indistintamente) que compõem um bem cultural (histórico), como forma de garantir a sua autenticidade primitiva, entendo que, no processo de construção da história de um bem as intervenções equacionadas com esse processo também podem garantir a manutenção de uma autenticidade, que talvez não seja decorrente da existência primitiva, mas da existência de uma composição construída a partir de intervenções verdadeiras. Dentro desse contexto, não é possível generalizar o entendimento ou uma verdade sobre o tema, faz-se necessária uma análise individualizada para cada caso, considerando-se o processo “evolutivo” dos conceitos e valores de forma a buscar um entendimento acerca do momento em que ocorre ou ocorreu a intervenção, além de perceber o processo histórico de construção e transformação do bem.

 

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